sexta-feira, 22 de abril de 2011

A tragédia de Realengo e a Páscoa judaica, de David Weitman

Artigo publicado, na seção Tendências/Debates, da Folha de S.Paulo, de 22/04/2011:

Devemos cercar nossos filhos com o calor que só o amor emana; precisam se sentir membros da família, da comunidade e da sociedade

Já houve épocas em que "levar bomba" na escola poderia ocasionar, no máximo, uma severa repreensão dos pais e a perda de um ano de estudos. Atualmente, a bomba é literal.

Estamos nos dias da Páscoa, quando a Lei Judaica nos obriga a se abster de qualquer pão convencional (fermentado) e a consumir apenas a matsá (pão ázimo), lembrando a libertação do povo judeu da escravidão do Egito. Ambos são elaborados com água e farinha, mas o pão cuja massa cresceu simboliza o orgulho; a matsá, o pão achatado, simboliza a humildade.

Ordenou o Criador: "E cuidareis do pão ázimo" (Êxodo 12:17), para que a matsá não fermente. Na prática, existem duas formas para você inibir a fermentação natural:

a) Antes de começar a inflar, pegamos a massa e rapidamente a colocamos no forno.

b) Basta continuarmos a sovar a massa, trabalhando-a sem parar, não permitindo que ela fique "ociosa" -mesmo por horas-, e ela não fermentará.

Nossas crianças e nossos jovens são a massa mais preciosa que temos. Assim como, por natureza, qualquer massa fermenta e incha, de forma similar a criança, apesar de pura, é propensa ao egoísmo e pode tender para a maldade.

É nossa obrigação cuidar dessas massas jovens para elas não fermentarem nem azedarem, pois uma criança que se sente rejeitada pode causar danos irreversíveis à sociedade. O judaísmo, como falamos, oferece duas alternativas para inibir a fermentação do caráter e a tendência para a arrogância e a maldade: o calor do forno e o trabalho com a massa.

Analogamente, devemos cercar nossos filhos com o calor humano que somente o amor emana. Eles precisam sentir-se queridos e membros orgulhosos e ativos de algo maior: família, comunidade e sociedade. Querem amar e ser amados, conhecer o calor e a intensidade dos relacionamentos familiares.

Trabalhar a massa significa fazer com que os nossos jovens se interessem pelas coisas. Que estejam ocupados com assuntos bons e positivos. A ociosidade é extremamente perigosa para eles. Temos que dar a eles muitas responsabilidades para cumprir a fim de que não tenham tempo nem sequer para pensar em errar.

Na triste tragédia da escola de Realengo, o assassino foi descrito pelos colegas como uma pessoa tímida e calada. Porém, numa análise mais profunda, percebe-se que ele cresceu sem o calor familiar necessário. Passou por vários braços e sofreu decepções e rejeições na vida. Também ficava horas e horas em frente à tela do computador.

Uma vez que a tecnologia é desprovida de moral e não produz pessoas melhores, essa ociosidade e essa falta de "calor do forno" fizeram a massa fermentar.

Há décadas, o Rebe de Lubavitch, líder mundial judaico, já dizia: "Ao contrário do senso comum, que considera as crianças potenciais seres humanos, incapazes de atingir o seu valor completo antes da maturidade, a tradição judaica as vê como dignas e merecedoras do nosso tempo, já que personificam a pureza de propósitos, sinceridade, fé e amor à vida".

DAVID WEITMAN, rabino da Congregação Beit Yaacov, São Paulo.

sábado, 9 de abril de 2011

Aniversariantes de Abril


                      01 - Silvia (Evangelizadora do Primário)
                      02 - Ana Paula (mãe da Beatriz, do Primário)
                      04 - Benigna (Evangelizadora)
                     10 - Breno (Jardim)
                     18 - Victor (Jardim)
                     25 - Beatriz Giannoni (Primário)

Oração Infantil (Para o Anjo da Guarda)

Meu anjo da guarda,
dourado como o sol, suave como a lua,
segue-me quando eu for à escola,
quando estiver em casa, quando brincar na rua...
Vela meu sono de noite,
guia meus passos de dia;
dá-me tua paz, teu carinho, tua alegria...
Quero estar sempre em tua companhia.
Você é tudo para mim.
Quero aprender com você a amar as plantas,
os minerais, as pessoas, os animais...
A ter bons sentimentos,
pensamentos puros, enfim,
a amar a Deus sobre todas as coisas.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Um vestido que modificou uma vila

Um professor dava aula a crianças muito pobres numa escola da periferia. Havia entre ela uma menina muito bonita que lhe chamava atenção por estar sempre suja e com a roupa rasgada. Comovido, o professor resolveu comprar um vestido e dar-lhe de presente. A menina ficou tão contente com o presente que logo o vestiu.

Quando a mãe da menina a viu com uma roupinha tão linda, percebeu que não ficava bem a filha vestir um traje novo estando tão suja; passou então a dar banho na filha todos os dias, cuidando melhor de sua aparência.

Após uma semana, tendo o pai observado sua filha bem arrumada, comentou com a mulher:

- Estou envergonhado de ver nossa filha tão bonita e bem-arrumada morar nesta casa caindo aos pedaços. Vou pintar as paredes e fazer alguns consertos necessários para melhorar nosso lar.

Por sua vez a mulher, percebendo a casa mais bonita, começou a arrumá-la melhor, criando até um lindo jardim na frente.

Os vizinhos, assim que notaram as mudanças, também começaram a pintar suas casas... E dessa forma a vila inteira foi modificada.

Grandes mudanças começam com pequenas iniciativas.

sábado, 19 de março de 2011

Seu filho é ‘problema’?

Artigo publicado em 15/03/2011, no caderno Equilíbrio, do jornal Folha de S.Paulo

Todas as crianças, sem exceção, perdem o controle, fazem birra e arrumam encrencas de vez em quando

"Meu filho é um problema" é uma frase pronunciada com bastante frequência por muitos pais. Professores também falam dessa maneira em relação a alguns de seus alunos.

A maioria dessas crianças não é um problema: elas causam problemas para os seus responsáveis porque exigem uma atenção especial em seu processo educativo.

De vez em quando, todas as crianças, sem exceção nenhuma, se descontrolam, fazem birra, atrapalham o que o grupo faz, desorganizam o ambiente e arrumam encrencas verbais ou físicas com outras crianças. Todas elas procuram resolver seus conflitos à força, usam e abusam de sua capacidade de provocação e testam até o limite os valores dos adultos.

Pois bem: há crianças que fazem essas coisas quase que o tempo todo. São essas as chamadas de "problemáticas" ou difíceis.

Algumas dessas crianças, inclusive, foram encaminhadas a médicos, psicólogos e outros especialistas, ganharam algum tipo de diagnóstico e estão sendo medicadas e/ou tratadas.

Entretanto, muitas delas continuam criando situações problemáticas para os adultos responsáveis por sua educação.

No filme nacional chamado "O Contador de Histórias", um adolescente que vivia em uma instituição foi considerado "irrecuperável". Mas ele teve a sorte de encontrar uma mulher que não aceitou o destino planejado para ele e decidiu lhe oferecer uma chance.

A história mostrada no filme é inspirada em fatos reais. Hoje, aquele adolescente é pedagogo e um contador de histórias conhecido internacionalmente.

As crianças chamadas de problemáticas ou difíceis merecem, da parte dos adultos que as educam, a mesma compaixão que o personagem do filme recebeu. Empreitada difícil? Sim, sem dúvida alguma. Por isso, vamos nos dedicar a refletir a esse respeito.

Muitos afirmam que algumas dessas crianças fazem o que fazem "apenas" para chamar a atenção.

Pode ser verdade, já que muitas delas só conseguem atrair o olhar dos adultos que com elas convivem quando assim agem. Então, uma boa saída a oferecer a essas crianças não seria exatamente dar a elas o que elas pedem e precisam?

Não se trata, aqui, de aceitar o que a criança faz de errado. Ela consegue entender que ela não se resume àquilo que faz, quando o adulto a ajuda a perceber a diferença entre essas duas coisas.

Outra possibilidade que, combinada com a anterior, costuma funcionar é o adulto ter o entendimento de que essas crianças precisam de disciplina e firmeza. E que disciplina e firmeza são coisas muito diferentes de castigos e exaltação de ânimo. Ser firme é bem diferente de ser bravo, não é?

Finalmente: essas crianças devem ser tratadas como crianças que são -e não como alguns adultos que acatam o que lhes dizem e se esforçam para mudar seu comportamento.

Com as crianças precisamos, todo santo dia, agir como se fosse a primeira vez que elas tivessem feito aquilo que fizeram, mesmo que elas já tenham ouvido que não deveriam fazer.

O mais importante é ensinar a essas crianças que existem para elas outras escolhas, melhores. Afinal, quem é que não gosta de ser escolhido como companhia em vez de ser rejeitado?

É isso que essas crianças precisam aprender: que o seu comportamento faz com que outras crianças e até adultos evitem a companhia delas. E é bom saber que quem aprendeu a obter atenção dessa maneira não consegue mudar de estilo com facilidade.

Paciência, perseverança, insistência, firmeza, serenidade e compaixão: são esses os ingredientes necessários para aqueles que têm a responsabilidade de educar essas crianças.

ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de
"Como Educar Meu Filho?" (Publifolha)